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terça-feira, 23 de outubro de 2012

Marília de Dirceu - Lira XXXVII




Meu sonoro passarinho
Se sabes do meu tormento,
E buscas dar-me, cantando,
Um doce contentamento,

Ah! Não cantes, mais não cantes,
Se me queres ser propício;
Eu te dou em que me faças
Muito maior beneficio.

Ergue o corpo, os ares rompe,
Procura o Porto Estrela,
Sobe a serra, a se cansares,
Descansa num tronco dela.

Toma de Minas a estrada,
Na Igreja nova, que fica
Ao direito lado, e segue
Sempre firme a Vila Rica.

Entra nesta grande terra,
Passa uma formosa ponte,
Passa a segunda e a terceira
Tem um palácio defronte.

Ele tem ao pé da porta
Uma rasgada janela,
É da sala, aonde assiste
A minha Marília bela.

Para bem a conheceres,
Eu te dou os sinais todos
Do seu gesto, do seu talhe,
Das suas feições, e modos.
O seu semblante é redondo,
Sobrancelhas arqueadas,
Negros e finos cabelos,
Carnes de neve formadas.

A boca risonha, e breve,
Suas faces cor-de-rosa,
Numa palavra, a que vires
Entre todas mais formosas.

Chega então ao ouvido,
Dize, 
que sou quem te mando,
Que vivo nesta masmorra,
 
Mas sem alívio penando.

Poema Marilia de Dirceu - lira XXXVII - Livro Tomás Antônio Gonzaga: Marília de Dirceu - Ediouro
Imagem da Tela "Marília de Dirceu" óleo sobre gesso e cola de Alberto da Veiga Guignard, 1948 - 172 x 116 cm
Col. Família Rodrigo Mello Franco de Andrade . Reprodução fotográfica Pedro Oswaldo Cruz. FONTE: Enciclopédia Itaú Cultural 

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